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"O morrão dos arguinas está a farpar a gerigota para o rufo a fim de esfagunhir, o gandiço que os arguinas hão-de rustir ao meio luzeiro" (tradução: O rapaz, servente dos pedreiros, está a rachar lenha para o lume a fim de cozer a comida que os pedreiros hão-de comer ao meio-dia).
"A caneira de moiano é lhega gidaça e não foca o badejo na pildra de soianos" (tradução: A minha esposa é mulher bonita e não dorme na vossa cama).
Esta é a pitoresca, caracterizada e humilde linguagem "calão" ou "gíria" que foi criada e utilizada pelos pedreiros (arguinas), artífices no trabalho da pedra, de Nogueira do Cravo e Santa Ovaia, essencialmente, ao longo de anos, com a finalidade principal de comunicarem entre si sem que, em especial o patrão ou um estranho, se apercebem-se dos seus intuitos. Um acto que demonstra o espírito de solidariedade e corporação profissional que reinava entre eles, daí que durante muitos anos a divulgação e tradução pública da mesma foi evitável, mantendo-se em segredo.
"O cantar das pedras"
Ó pedrinha corre, á-ó...
Ó pedrinha ligeira, á-ó...
Ó que vais p'rá obra, á-ó...
E é p'rá vida inteira, á-ó...
E ela corre, á-ó...
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Foca o badejo, á-ó...
À choina fusca, á-ó...
Na pildra niva, á-ó...
Do arguina gido, á-ó...
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Ó pedrinha corre, á-ó...
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Sou pedreiro novo,
Faço vasos e capitéis,
Levo os picos ao ferreiro
E também os cingéis.
Fui pedreirinho novo,
Portador da pedra preta,
Hoje tenho setenta anos,
Mas 'inda mando a marreta...
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E ó pedrinha corre, á-ó...
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"poema via "Os Verbos dos Arguinas" de F.Correia das Neves"